A influência da posição acadêmica sobre condutas de saúde em universitários

Marcos Cezar Pomini, Danielle Bordin, Nemre Adas Saliba, Suzely Adas Saliba Moimaz, Cristina Berger Fadel

Resumo


Poucos estudos têm examinado as condutas de saúde da população universitária em sua totalidade. O objetivo deste estudo foi avaliar a influência da posição acadêmica, considerando estudantes de graduação e pós-graduação, sobre a aquisição de condutas de saúde. A amostra foi composta por 223 graduandos e 67 pós-graduandos, ambos concluintes dos cursos de Odontologia, Farmácia, Medicina, Educação Física, Enfermagem e Ciências Biológicas de uma universidade pública da região Sul do Brasil. Utilizou-se um instrumento para a coleta de dados demográficos e o questionário autoaplicável National College Health Risk Behavior Survey (NCHRBS), para a avaliação das dimensões segurança no trânsito e violência, consumo de tabaco e álcool, comportamento sexual e alimentação, atividade física e peso. Observou-se que a posição acadêmica não exerceu papel significativo na aquisição de condutas inadequadas, estando estas mais relacionadas com o perfil demográfico dos indivíduos. Estudantes mais jovens, do gênero masculino e solteiros apresentaram maior prevalência de hábitos considerados prejudiciais à saúde, principalmente relacionados ao consumo de bebida alcoólica e ao envolvimento em agressão física.  Estudantes mulheres apresentaram aquisição significativa de métodos inapropriados para o controle do peso corporal. Os resultados encontrados refletem a importância da efetivação de políticas que visem à intervenção e prevenção de comportamentos prejudiciais à saúde entre universitários, considerando-se o universo de graduandos e pós-graduandos.

Palavras-chave


Comportamentos Saudáveis. Risco. Estudantes. Educação Superior.

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DOI: https://doi.org/10.30979/rev.abeno.v18i1.395

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