Construção de competências colaborativas para o trabalho em saúde nos estágios curriculares de Odontologia no SUS

Eloá Rossoni, José Ricardo Busatto, Raíssa Carrion Trein

Resumo


Com a implementação do Sistema Único de Saúde (SUS), foram necessárias mudanças curriculares que preparassem os profissionais para atuar em equipe na rede de saúde. No início do século XXI passaram a ser implementadas as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) que trouxeram várias mudanças, dentre as quais destaca-se a inserção do estudante de graduação no SUS. O objetivo desse estudo é analisar as percepções dos egressos do curso de graduação em Odontologia diurno de uma universidade pública do Rio Grande do Sul, acerca da construção de competências colaborativas, durante a formação nos Estágios Curriculares Supervisionados (ECS) no SUS. Trata-se de um estudo de natureza descritiva com análise de dados qualitativos e quantitativos. Inicialmente, 133 egressos, que vivenciaram os ECS entre 2012/1 a 2016/1, responderam a um questionário online com questões abertas e fechadas. Com uma amostra intencional de 14 egressos, que responderam ao questionário, foram realizadas entrevistas semiestruturadas em profundidade. O material quantitativo foi submetido à análise descritiva e o material qualitativo à análise de conteúdo temática. Considerando que os dados quantitativos e qualitativos são complementares, eles foram submetidos a triangulação e os resultados são apresentados em duas unidades de análise: Caracterização, inserção e escolhas profissionais dos egressos e Construção de competências colaborativas. A maioria dos egressos participantes (67,7%) são do sexo feminino e estão atuando em Porto Alegre ou região metropolitana (78,6%), 29,1% deles estão vinculados a serviços públicos de saúde. A satisfação com os ECS é destacada pelos egressos, que os descrevem como indispensáveis para sua formação. Dentre as competências colaborativas construídas por meio dos estágios, o aprendizado de trabalhar em equipe interprofissional é destacado pela maioria dos egressos (85,3%), sendo lembrada como fundamental para a atenção integral do usuário. Conclui-se que o curso de Odontologia tem obtido sucesso na formação de profissionais voltados para atuação no SUS, tendo um percentual considerável de egressos vinculados aos serviços públicos de saúde.


Palavras-chave


Odontologia Comunitária. Educação em Odontologia. Serviços de Saúde. Educação Baseada em Competências.

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DOI: https://doi.org/10.30979/rev.abeno.v21i1.908

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