Análise situacional do estágio curricular supervisionado nos cursos de graduação em Odontologia no Brasil: uma questão de interpretação

Suzely Adas Saliba Moimaz, Bruno Wakayama, Artênio Jose Isper Garbin, Clea Adas Saliba Garbin, Nemre Adas Saliba

Resumo


O objetivo neste estudo foi analisar a oferta e a inserção do estágio curricular supervisionado nos cursos de graduação em Odontologia no Brasil. Trata-se de um estudo transversal, descritivo quantitativo.  Foram realizadas consultas do número e nomes das instituições que oferecem curso de graduação em Odontologia, pelo sítio eletrônico do Ministério da Educação. As páginas eletrônicas de cada curso foram analisadas, verificando as variáveis: carga horária do curso, regime, carga horária destinada ao estágio curricular, semestre em que é ofertado e a sua nomenclatura. Foram excluídos da amostra aqueles que não apresentaram páginas eletrônicas, sem turmas formadas e os que não disponibilizaram via web o projeto político-pedagógico e/ou estrutura curricular. Para o processamento dos dados e análise estatística foi utilizado o software Epi Info 7.0.  Dos 249 cursos de graduação em Odontologia credenciados no Brasil, verificou-se que 241(96,8%) possuíam páginas eletrônicas ativas, sendo que deste percentual, 158 (65,6%) ofertavam o estágio curricular em suas atividades. Do total de 158 cursos analisados, 89,2% eram de regime semestral e apenas 38% atenderam às Diretrizes Curriculares Nacionais, destinando 20% da carga horária total do curso para estágio. Em relação às nomenclaturas, observaram-se 53 variações, sendo as mais frequentes relacionadas às especialidades odontológicas. Os inícios dos estágios foram mais prevalentes no 5º, 7º e 8º semestres. Conclui-se que os estágios curriculares são contemplados na maioria das universidades, com cargas horárias e nomenclaturas diversificadas, entretanto, existe um viés em sua interpretação, pois muitas disciplinas de formação são designadas como atividades de estágio.


Palavras-chave


Educação em Odontologia. Estágios. Odontologia. Escolas de Odontologia.

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DOI: https://doi.org/10.30979/rev.abeno.v16i4.333

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