Percepção clínica, ética e legal de acadêmicos de Odontologia sobre gerenciamento de resíduos de serviços de saúde

Daylana Pacheco da Silva, Maysa Luna de Sousa, Graciela Maria Oliveira Sipaúba, Mariá Soares Leal de Moura, Valdimar da Silva Valente, Carmem Dolores Vilarinho Soares de Moura

Resumo


O objetivo desse estudo foi analisar a percepção clínica, ética e legal de acadêmicos do curso de Odontologia sobre o gerenciamento de Resíduos em Serviços de Saúde (RSS). O estudo foi do tipo observacional transversal, com amostragem censitária de acadêmicos do 8º(n=23) e 9º(n=18) períodos. No questionário aplicado abordou-se o processo de produção, manuseio e descarte dos RSS, no que concerne ao gerenciamento, legislação e questões éticas. Os dados foram organizados em planilhas e interpretados por meio de análise descritiva. Sobre as normas vigentes para o gerenciamento de RSS, 82,9% e 95,1% dos estudantes afirmaram desconhecer o tratamento/disposição final e regulamento técnico para o gerenciamento de RSS, respectivamente. Em relação ao Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS), 85,4% não conhecem o Código Penal e 87,8% não estão familiarizados com o Código Civil. Além de disso, a maioria dos entrevistados desconhecem as Normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (75,6%) e as Resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (82,9%) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (95,1%). Por outro lado, 73,2% afirmam conhecer os direitos e deveres do cirurgião-dentista, presentes no Código de Ética Odontológica. Quanto à classificação dos resíduos produzidos em ambiente odontológico, 95,1% responderam corretamente sobre o hipoclorito de sódio e 97,6% sobre os roletes de algodão e gaze com sangue. Portanto, foi possível concluir que existe conhecimento satisfatório sobre os aspectos clínicos e éticos, entretanto insuficiente quanto às legislações vigentes no Brasil.


Palavras-chave


Resíduos de Serviços de Saúde. Estudantes de Odontologia. Minimização de Prejuízos Ambientais. Acondicionamento de Resíduos Sólidos.

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DOI: https://doi.org/10.30979/rev.abeno.v19i3.796

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