Ensino da Língua Brasileira de Sinais nos cursos de graduação em Odontologia do Sudeste brasileiro: um estudo transversal

Yuri de Lima Medeiros, Danielle Fernandes Lopes, Luan Viana Faria, Mônica Regina Pereira Senra Soares, Carla Couto de Paula Silvério

Resumo


O atendimento odontológico de pacientes surdos é considerado um desafio. A falta de contato dos estudantes com a Língua Brasileira de Sinais (Libras) durante a graduação pode ser um fator agravante da condição de saúde bucal desta população. Assim, o objetivo do estudo foi oferecer um panorama sobre a inclusão da disciplina de Libras nos projetos pedagógicos dos cursos de graduação em Odontologia da Região Sudeste do Brasil. Consiste em um estudo exploratório, quantitativo e transversal. As matrizes curriculares dos cursos foram analisadas, buscando-se as informações referentes às variáveis: categoria administrativa da Instituição de Ensino Superior (IES), oferta e natureza do componente curricular e carga horária. A população do estudo foi constituída por 176 IES, das quais 32 não disponibilizaram suas respectivas matrizes curriculares. Observou-se que 125 cursos (86,8%) eram de IES particulares e 19 (13,19%) de públicas, com 83 (57,63%) oferecendo o componente curricular Libras em sua matriz, sendo que 71 (91,02%) das 78 IES que disponibilizaram a informação ofertam o conteúdo como opcional ou eletivo. A carga horária variou de 30 a 80 horas, com média de 49,7h. Conclui-se que a implementação da Libras ainda é discreta nas universidades públicas e mais concentrada nas IES privadas, sendo, em sua maioria, não-obrigatória.


Palavras-chave


Educação em Odontologia. Línguas de Sinais. Currículo.

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DOI: https://doi.org/10.30979/rev.abeno.v20i1.933

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